O estudo CALERIE testou se uma restrição prolongada da ingestão calórica pode prolongar a esperança de vida. O nome significa Comprehensive Assessment of Long-term Effects of Reducing Intake of Energy (Avaliação Abrangente dos Efeitos a Longo Prazo da Redução da Ingestão de Energia), e a segunda e principal fase começou em 2007 e durou até 2010.
Continue a ler e descubra o que o estudo CALERIE revelou sobre o prolongamento da nossa vida através de uma menor ingestão calórica.
Porque Foi Realizado o Estudo CALERIE?
Vários estudos realizados em modelos animais mostraram que a restrição calórica prolonga a esperança de vida e previne o desenvolvimento de doenças crónicas relacionadas com a idade. Isto foi demonstrado em animais como ratos e ratinhos, insetos, e até macacos rhesus (1). Descobertas como estas motivaram estudos semelhantes em humanos.
O estudo CALERIE teve uma fase I mais curta e com menos participantes em 2006 (2). A fase I foi realizada com 48 participantes durante seis meses, e os resultados mostraram que o grupo tratado (que consumiu menos 25% de calorias) apresentou valores mais baixos de:
- resistência à insulina,
- nível de colesterol LDL,
- temperatura corporal,
- níveis de insulina no sangue,
- danos oxidativos no ADN.
Estas conclusões foram consideradas excecionalmente positivas e impulsionaram a expansão do estudo, levando à realização da fase II.
Como Foi Concebido o Estudo?
A segunda das duas fases do estudo CALERIE foi maior e mais longa. Decorreu entre 8 de maio de 2007 e 26 de fevereiro de 2010. No total, contou com 238 participantes, que tinham de ser jovens e não obesos. Para poder participar neste estudo, era necessário:
- ter um IMC entre 22 e 27,9,
- não ser fumador,
- não ser diabético,
- ter, no máximo, 47 anos (mulheres) ou 50 anos (homens),
- ter, em geral, boa saúde.
O estudo foi randomizado em dois grupos: os que seguiam uma dieta com restrição calórica de 25% e os que consumiam uma dieta padrão.
O aspeto importante da dieta com restrição calórica era que não era deficiente em nenhum nutriente, apenas em calorias (3).
Estavam previstas consultas de controlo regulares em cada mês do estudo, monitorizando-se os seguintes aspetos:
- pressão arterial,
- frequência cardíaca,
- temperatura corporal central,
- medidas da cintura,
- composição corporal e densidade mineral óssea,
- taxa metabólica de repouso,
- teste de tolerância oral à glicose,
- testes de força muscular,
- testes de função imunitária.
Pode ler mais sobre o desenho do estudo e outros pormenores aqui.