PFAS Explained: What They Are and How to Reduce Exposure

PFAS Explicados: O Que São e Como Reduzir a Exposição

O que torna os PFAS tão úteis é também o que os torna um problema. Nada adere a eles, nada os atravessa, e resistem à degradação durante décadas. É por isso que aparecem na sua frigideira antiaderente, no seu casaco impermeável, nas embalagens de comida para levar, nos cosméticos do dia a dia e na alcatifa sob os seus pés, e por isso são conhecidos como "químicos eternos".

O Que São os PFAS?

PFAS, abreviatura de substâncias per- e polifluoroalquiladas, são construídos em torno de uma ligação carbono-flúor, uma das mais fortes da química orgânica (1). Praticamente nada quebra essa ligação, razão pela qual os revestimentos antiaderentes duram tanto tempo e pela qual os PFAS já se espalharam até ao gelo do Ártico e à água da chuva nas cidades (2).

Os seus rins filtram os resíduos para a urina, mas os PFAS de cadeia mais longa são reabsorvidos de volta para o sangue em vez de serem excretados (3). Para os três compostos mais estudados, PFOA, PFOS e PFHxS, o organismo demora aproximadamente entre quatro a oito anos a eliminar apenas metade do que está presente (4).

De Onde Vêm os PFAS?

Para a maioria das pessoas, os alimentos e a água potável são as principais fontes, embora o pó doméstico, os cosméticos, os tecidos tratados e determinadas profissões também contribuam (1, 5). Os níveis são mais elevados perto de zonas industriais, aterros e estações de tratamento de águas residuais, bem como junto de aeroportos e bases militares onde foram utilizadas espumas de combate a incêndios (5, 6). Os PFAS são encontrados no sangue da maioria das pessoas testadas. Num estudo canadiano com 72 adultos, seis PFAS diferentes foram detetados em todos eles (7). A EFSA concluiu em 2020 que partes da população europeia excedem a sua ingestão semanal tolerável para quatro PFAS, o que classifica como uma preocupação para a saúde.

Os PFAS São Prejudiciais para a Saúde?

A maior parte da investigação sobre PFAS em humanos é observacional, identificando associações em vez de provar causalidade. Ainda assim, vários padrões são suficientemente consistentes para serem levados a sério.

Uma revisão sobre risco cardiovascular associou os PFAS mais fortemente ao aumento da pressão arterial, do colesterol e do ácido úrico, sem qualquer associação à gordura corporal ou à glicemia (8). Os PFAS são classificados como disruptores endócrinos, podendo interferir com a hormona tiroideia (9). Uma revisão sistemática de químicos disruptores endócrinos encontrou evidências sugerindo que alguns compostos, incluindo os PFAS, podem influenciar o risco de cancro da mama (10). Tanto em adultos como em recém-nascidos, os PFAS têm sido associados a alterações epigenéticas, em que os genes são ativados ou desativados (11). Em crianças, a exposição precoce tem sido associada a níveis mais elevados de marcadores de inflamação intestinal (12).

Desde então, foram introduzidas alternativas de cadeia curta, mas ainda existe pouca investigação para saber se são seguras (13).

Os PFAS São Regulamentados?

Desde 12 de janeiro de 2026, os Estados-membros da UE devem monitorizar os PFAS na água potável e atuar sempre que os limites sejam excedidos. Os limiares são de 100 nanogramas por litro para 20 PFAS nomeados, e de 500 para o total de todos os PFAS combinados. Os testes são anuais, e os fornecedores devem publicar os resultados.

Por exemplo, a Berliner Wasserbetriebe publica os resultados de cada uma das suas nove estações de tratamento de água, e em 2025 a soma do PFAS-20 variou entre 1,9 e 34 ng/l, face a esse limite de 100. Existe também uma consulta por código postal para a sua própria morada.

As regras vão além da água: os níveis máximos de PFAS nos alimentos aplicam-se desde 2023, as embalagens em contacto com alimentos são abrangidas a partir de 12 de agosto de 2026, e a França proibiu os PFAS em cosméticos, vestuário e calçado a partir de janeiro de 2026. Algumas substâncias ativas de pesticidas também são PFAS, e têm os seus próprios limites de resíduos.

Mas um limite legal não é um limiar de saúde: os EUA estabelecem o seu objetivo baseado na saúde para o PFOA e o PFOS em zero, com um limite aplicável de 4 ng/l apenas porque zero não é exequível, embora os sistemas de água tenham até 2029 para cumprir.

Como Reduzir a Exposição aos PFAS?

Comece pela água, se os dados locais o justificarem. Testes a sistemas domésticos revelaram que as unidades de osmose inversa sob a bancada e de duplo estágio removeram praticamente todos os PFAS, enquanto o carvão ativado eliminou entre 60 e 70% dos compostos de cadeia longa e 40% dos de cadeia curta (14). O carvão saturado pode libertar de volta compostos de cadeia curta, por isso substitua os filtros de acordo com o calendário recomendado (15). Procure uma certificação que mencione explicitamente os PFAS, uma vez que entidades certificadoras como a NSF apenas validam os contaminantes indicados no rótulo.

Os PFAS acumulam-se através da água em peixes, mariscos, plantas e animais, e a EFSA aconselha uma alimentação variada em vez de eliminar alimentos. O que pode ajudar é a fibra solúvel: alguns PFAS são reciclados entre o intestino e o fígado através da bílis, as pessoas que consomem mais fibra têm níveis sanguíneos de PFAS mais baixos (16), e um ensaio de quatro semanas observou uma diminuição dos PFAS de cadeia longa em quem tomava beta-glucano de aveia (7). O folato segue um padrão semelhante (17), e em adolescentes níveis mais elevados de folato enfraqueceram a ligação entre os PFAS e os lípidos sanguíneos (18). Nada disto estabelece causalidade.

Cosméticos que pode verificar: em qualquer produto, procure PTFE ou nomes de ingredientes que contenham "fluoro", embora nem todos sejam declarados. As fórmulas impermeáveis, de longa duração e os pós compactos são as mais suscetíveis de os conter. Os tratamentos antimanchas em alcatifas e estofos são outra via de exposição, por isso opte por opções não tratadas quando os substituir.

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Em Resumo

Não é possível evitar totalmente os PFAS. As evidências, até agora, associam-nos de forma mais consistente à saúde cardiovascular e hormonal, estando outros efeitos ainda em investigação. Os países estão a agir quanto a isto, mas as normas variam, por isso verifique o que se aplica onde vive. O que está ao seu alcance é mais limitado, mas real. Verifique o relatório da sua água, filtre-a se necessário, leia os rótulos dos cosméticos, opte por tecidos não tratados à medida que substitui os antigos, e mantenha uma alimentação variada e rica em fibra solúvel.

Referências

  1. Glüge J, Scheringer M, Cousins IT, DeWitt JC, Goldenman G, Herzke D, et al. An overview of the uses of per- and polyfluoroalkyl substances (PFAS). Environ Sci Process Impacts. 2020;22(12):2345-73. https://doi.org/10.1039/d0em00291g
  2. Evich MG, Davis MJB, McCord JP, Acrey B, Awkerman JA, Knappe DRU, et al. Per- and polyfluoroalkyl substances in the environment. Science. 2022;375(6580):eabg9065. https://doi.org/10.1126/science.abg9065
  3. Brase RA, Mullin EJ, Spink DC. Legacy and Emerging Per- and Polyfluoroalkyl Substances: Analytical Techniques, Environmental Fate, and Health Effects. Int J Mol Sci. 2021;22(3):995. https://doi.org/10.3390/ijms22030995
  4. Olsen GW, Burris JM, Ehresman DJ, Froehlich JW, Seacat AM, Butenhoff JL, Zobel LR. Half-life of serum elimination of perfluorooctanesulfonate, perfluorohexanesulfonate, and perfluorooctanoate in retired fluorochemical production workers. Environ Health Perspect. 2007;115(9):1298-1305. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC1964923/
  5. Sunderland EM, Hu XC, Dassuncao C, Tokranov AK, Wagner CC, Allen JG. A review of the pathways of human exposure to poly- and perfluoroalkyl substances (PFASs) and present understanding of health effects. J Expo Sci Environ Epidemiol. 2019;29(2):131-47. https://doi.org/10.1038/s41370-018-0094-1
  6. Kurwadkar S, Dane J, Kanel SR, Nadagouda MN, Cawdrey RW, Ambade B, et al. Per- and polyfluoroalkyl substances in water and wastewater: A critical review of their global occurrence and distribution. Sci Total Environ. 2022;809:151003. https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2021.151003
  7. Schlezinger JJ, Bello A, Mangano KM, Biswas K, Patel PP, Pennoyer EH, et al. Per- and poly-fluoroalkyl substances (PFAS) in circulation in a Canadian population: their association with serum-liver enzyme biomarkers and piloting a novel method to reduce serum-PFAS. Environ Health. 2025;24:10. https://doi.org/10.1186/s12940-025-01165-8
  8. Schlezinger JJ, Gokce N. Perfluoroalkyl/Polyfluoroalkyl Substances: Links to Cardiovascular Disease Risk. Circ Res. 2024;134(9):1136-59. https://doi.org/10.1161/CIRCRESAHA.124.323697
  9. Pearce EN. Endocrine Disruptors and Thyroid Health. Endocr Pract. 2024;30(2):172-6. https://doi.org/10.1016/j.eprac.2023.11.002
  10. Wan MLY, Co VA, El-Nezami H. Endocrine disrupting chemicals and breast cancer: a systematic review of epidemiological studies. Crit Rev Food Sci Nutr. 2022;62(24):6549-76. https://doi.org/10.1080/10408398.2021.1903382
  11. Kim S, Thapar I, Brooks BW. Epigenetic changes by per- and polyfluoroalkyl substances (PFAS). Environ Pollut. 2021;279:116929. https://doi.org/10.1016/j.envpol.2021.116929
  12. Midya V, Maroli AS, Picker M, et al. Per- and polyfluoroalkyl substances (PFAS) in early life is associated with childhood intestinal inflammation: analyses of three birth cohorts. Clin Gastroenterol Hepatol. 2026. https://doi.org/10.1016/j.cgh.2026.07.001
  13. Fenton SE, Ducatman A, Boobis AR, DeWitt JC, Lau C, Ng CA, et al. Per- and Polyfluoroalkyl Substance Toxicity and Human Health Review: Current State of Knowledge and Strategies for Informing Future Research. Environ Toxicol Chem. 2021;40(3):606-30. https://doi.org/10.1002/etc.4890
  14. Herkert NJ, Merrill J, Peters C, Bollinger D, Zhang S, Hoffman K, et al. Assessing the Effectiveness of Point-of-Use Residential Drinking Water Filters for Perfluoroalkyl Substances (PFASs). Environ Sci Technol Lett. 2020;7(3):178-84. https://doi.org/10.1021/acs.estlett.0c00004
  15. McCleaf P, Englund S, Östlund A, Lindegren K, Wiberg K, Ahrens L. Removal efficiency of multiple poly- and perfluoroalkyl substances (PFASs) in drinking water using granular activated carbon (GAC) and anion exchange (AE) column tests. Water Res. 2017;120:77-87. https://doi.org/10.1016/j.watres.2017.04.057
  16. Dzierlenga MW, Keast DR, Longnecker MP. The concentration of several perfluoroalkyl acids in serum appears to be reduced by dietary fiber. Environ Int. 2021;146:106292. https://doi.org/10.1016/j.envint.2020.106292
  17. Zhang Y, Mustieles V, Wang YX, Sun Y, Agudelo J, Bibi Z, et al. Folate concentrations and serum perfluoroalkyl and polyfluoroalkyl substance concentrations in adolescents and adults in the USA (NHANES 2003-16): an observational study. Lancet Planet Health. 2023;7(6):e449-58. https://doi.org/10.1016/S2542-5196(23)00088-8
  18. Pan Y, Du Z, Ma Y, Chen C, He S, Zhang M, et al. Suppression effect of folate on poly- and perfluoroalkyl substance-induced alterations in lipids and the atherogenic index of plasma in adolescents. Lipids Health Dis. 2025;24:187. https://doi.org/10.1186/s12944-025-02638-y
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