No artigo O Que É a Astaxantina? abordámos a origem deste pigmento de alga vermelha e a força real do seu poder antioxidante. Mas o que dizem, na prática, os estudos sobre os seus efeitos nas pessoas?
Os ensaios em humanos concentram-se em quatro áreas: pele, olhos, recuperação após o exercício e gorduras sanguíneas.
A Astaxantina Ajuda a Pele?
A pele é onde os estudos analisaram mais atentamente algo visível a olho nu. Uma revisão sistemática identificou onze estudos clínicos com doses entre 3 e 6 mg por dia, a maioria reportando melhorias na textura da pele, na hidratação ou nas rugas, sem efeitos secundários graves (1). Esses estudos eram de pequena dimensão, realizados sobretudo em mulheres japonesas, e muitos foram financiados por empresas com interesses comerciais.
Uma meta-análise reuniu depois nove dos estudos randomizados, um teste mais rigoroso, e concluiu que a pele apresentava mais hidratação e mais elasticidade do que com placebo. As rugas melhoraram tão pouco que não é possível ter a certeza de que o efeito é real (2). A redução de rugas é um argumento de venda comum da astaxantina, e é a única alegação que, até agora, não se confirmou.
A Astaxantina Ajuda a Fadiga Ocular?
Um estudo com pessoas que trabalham ao computador o dia todo administrou 6 mg de astaxantina com 10 mg de luteína e 2 mg de zeaxantina, dois pigmentos relacionados que se acumulam no próprio olho, durante oito semanas. A coordenação olho-mão após um período em frente ao ecrã manteve-se melhor do que com placebo, e o pigmento macular aumentou, o que significa mais pigmento protetor na zona da retina responsável pela visão central detalhada. O rastreio ocular não se alterou (3). Como são três ingredientes, nada pode ser atribuído apenas à astaxantina, e dos três, a luteína e a zeaxantina têm um historial de investigação mais longo (4).
O estudo mais rigoroso com astaxantina isolada utilizou 4 mg por dia, durante doze semanas, em 64 crianças que usavam ecrãs quatro ou mais horas diárias. As pontuações de sintomas melhoraram cerca de 20% face ao placebo, embora a acuidade visual e a focagem não se tenham alterado (5). No entanto, trata-se de um estudo com crianças, pelo que ainda não é claro se o mesmo se aplica a adultos com doses mais elevadas. Foi também financiado pela indústria, com vários autores empregados pelo fabricante da astaxantina.
A Astaxantina Ajuda na Recuperação do Exercício?
Uma meta-análise de 2026 reuniu 24 estudos randomizados e dividiu a questão em duas partes, o que se revelou importante (6).
Quanto à recuperação, a creatina cinase, um marcador sanguíneo de dano muscular, melhorou, ou seja, diminuiu. Este foi o resultado mais consistente da análise.
Quanto ao desempenho, não houve benefício claro: nenhum efeito no VO2máx, a medida padrão da aptidão aeróbica, nem nos testes contrarrelógio ou na potência máxima. Uma análise anterior e de menor dimensão encontrou, de facto, um ganho de desempenho quando a astaxantina era combinada com treino regular, com efeitos maiores a partir de 20 mg por dia (7), bem acima do limite de 8 mg permitido na UE.
Assim, a conclusão é que há menos dano muscular a refletir-se no sangue. Se esse marcador mais baixo significa, de forma fiável, menos dores musculares ou um melhor desempenho na sessão seguinte, é uma questão muito menos clara.
Colesterol e Triglicéridos
Uma meta-análise de 2025, com oito estudos randomizados, encontrou HDL mais elevado e triglicéridos mais baixos, sem alterações no LDL ou no colesterol total (8). O HDL e o LDL são as partículas que transportam o colesterol pelo organismo; os triglicéridos são gorduras que circulam no sangue.
O senão está na dose. Esses estudos utilizaram entre 6 e 20 mg por dia. Os suplementos na UE não ultrapassam os 8 mg.
Investigação Emergente: Inflamação, Cognição e Ossos
A inflamação já chegou aos estudos em humanos, com resultados que dependem do marcador e da população. Uma meta-análise de 2022 encontrou níveis mais baixos de IL-6, um marcador de inflamação, em pessoas com diabetes tipo 2, enquanto outros dois marcadores inflamatórios não se alteraram (9).
A cognição também tem estudos próprios. Uma meta-análise de 2024 encontrou uma melhoria apenas marginal na precisão, sem alteração no tempo de reação (7). A investigação sobre ossos ainda é sobretudo feita em células e animais (10).
Nenhuma alegação de saúde sobre a astaxantina está autorizada na UE. As alegações propostas foram avaliadas, consideradas insuficientemente fundamentadas, e constam do registo como não autorizadas (11).
Conclusão
A astaxantina melhorou a hidratação e a elasticidade da pele, mas não as rugas. Quanto à fadiga ocular, alguns estudos são positivos, mas as evidências são escassas e incluem fórmulas combinadas e um estudo com crianças. No exercício físico, reduziu um marcador sanguíneo de dano muscular sem melhorar o desempenho. As gorduras sanguíneas melhoraram em estudos com doses entre 6 e 20 mg por dia, o que deixa por esclarecer quanto benefício um suplemento de 8 mg proporciona.
Na Augment Life, a Astaxantina fornece 8 mg por cápsula, extraída de Haematococcus pluvialis.
Saiba Mais
Fontes Bibliográficas
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- Zhou X, Cao Q, Orfila C, Zhao J, Zhang L. Systematic Review and Meta-Analysis on the Effects of Astaxanthin on Human Skin Ageing. Nutrients. 2021;13(9):2917. https://doi.org/10.3390/nu13092917
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- Hecht KA, Marwah M, Wood V, Nishida Y, Bach AE, Gerson J, et al. Astaxanthin (AstaReal) Improved Acute and Chronic Digital Eye Strain in Children: A Randomized Double-Blind Placebo-Controlled Trial. Advances in Therapy. 2025;42:1811-1833. https://doi.org/10.1007/s12325-025-03125-7
- Liu S, Yao W, Wei Y, Azhati S, Wu Y, Zhong W, et al. The Effects of Astaxanthin Supplementation on Exercise Recovery Biomarkers and Exercise Performance: A Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients. 2026;18(10):1570. https://doi.org/10.3390/nu18101570
- Liu C, Dong X, Jia J, Ha M. Effects of Astaxanthin Supplementation on Fatigue, Motor Function and Cognition: A Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Biological Research for Nursing. 2024;26(3):469-480. https://doi.org/10.1177/10998004241227561
- Laurindo LF, Rodrigues VD, Carneiro DP, Marangão Filho LS, Pereira ESBM, Tofano RJ, et al. Assessing the Effects of Moderate to High Dosage of Astaxanthin Supplementation on Lipid Profile Parameters. Pharmaceuticals. 2025;18(8):1097. https://doi.org/10.3390/ph18081097
- Ma B, Lu J, Kang T, Zhu M, Xiong K, Wang J. Astaxanthin supplementation mildly reduced oxidative stress and inflammation biomarkers: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Nutrition Research. 2022;99:40-50. https://doi.org/10.1016/j.nutres.2021.09.005
- Davan I, Fakurazi S, Alias E, Ibrahim NI, Hwei NM, Hassan H. Astaxanthin as a Potent Antioxidant for Promoting Bone Health: An Up-to-Date Review. Antioxidants. 2023;12(7):1480. https://doi.org/10.3390/antiox12071480
- EFSA Panel on Dietetic Products, Nutrition and Allergies (NDA). Scientific Opinion on the substantiation of health claims related to astaxanthin and maintenance of joints, tendons and connective tissue, protection of DNA, proteins and lipids from oxidative damage, maintenance of visual acuity, maintenance of blood cholesterol concentrations and maintenance of low plasma concentrations of C-reactive protein. EFSA Journal. 2009;7(9):1253. https://doi.org/10.2903/j.efsa.2009.1253