A urolitina A é um subproduto natural dos elagitaninos, compostos vegetais presentes em romãs, frutos silvestres e frutos secos, que são metabolizados pela nossa flora intestinal. Está comprovado que apresenta efeitos anti-inflamatórios, neuroprotetores e antienvelhecimento em animais de laboratório e em células, mas será o mesmo nos humanos?
Continue a ler e descubra os benefícios para a saúde recentemente identificados que a suplementação com urolitina A pode proporcionar. Entre eles incluem-se o aumento da força muscular, a mitofagia e a saúde celular!
O que é a Urolitina A?
Não se deixe enganar pelo nome pouco comum, porque a urolitina A não é mais do que um composto natural produzido no nosso organismo pela microbiota intestinal. Quando consome certas fontes de urolitina A, como romãs, frutos silvestres e nozes, o seu corpo metaboliza-as normalmente, tal como faria com qualquer outro alimento.
No entanto, sabia que grande parte da metabolização dos alimentos acontece graças às bactérias e outros microrganismos presentes no nosso intestino? Estas pequenas criaturas conseguem até sintetizar vitaminas, como a maioria das vitaminas do complexo B e a vitamina K. Os frutos e frutos secos que mencionámos são ricos em compostos vegetais chamados elagitaninos, que a microbiota intestinal consegue metabolizar no composto que conhecemos como urolitina A.
A quantidade de urolitina A que a microbiota intestinal de cada pessoa consegue produzir a partir dos elagitaninos depende da saúde intestinal e dos tipos de microrganismos predominantes no intestino. As quantidades podem variar de pessoa para pessoa, havendo mesmo quem seja classificado como "não produtor". É por isso que, atualmente, a urolitina A também está disponível em suplemento, como forma fácil de obter diretamente quantidades mais elevadas deste composto.
Esta molécula interessante tem sido estudada pelos seus diversos benefícios para a saúde, como o rejuvenescimento mitocondrial, a saúde celular e as propriedades anti-inflamatórias. Acredita-se que o mecanismo molecular por trás destas ações seja a mitofagia, a remoção das mitocôndrias antigas ou danificadas das células.
Se quiser saber mais sobre os processos celulares, leia os nossos artigos anteriores:
Vejamos então o que a investigação científica já revelou sobre a urolitina A!
Urolitina A - Benefícios para a Saúde
A primeira investigação científica sobre a urolitina A foi realizada em animais de laboratório e em culturas de células. Vários estudos demonstraram que a urolitina A apresenta (1):
um tempo de vida mais longo nos animais testados (vermes e ratinhos idosos),
efeitos anti-inflamatórios,
efeitos neuroprotetores,
aumento da mitofagia.
Apesar de a urolitina A ser ainda relativamente recente no mundo científico dos suplementos alimentares, já foram realizados vários ensaios clínicos em humanos para investigar as suas funções e possíveis benefícios para a saúde. Vejamos então!
Melhoria da Força Muscular e da Saúde Mitocondrial
Um dos estudos mais recentes sobre a urolitina A foi realizado em 2022 por Singh et al. (2), e investigou os efeitos da urolitina A na força muscular, na resistência e na saúde e regeneração mitocondrial. Este estudo foi concebido e financiado pela empresa suíça de biotecnologia Amazentis SA, que investiga ativamente a urolitina A.
O estudo selecionou aleatoriamente quem receberia urolitina A e quem receberia placebo, entre 88 participantes de meia-idade elegíveis. Os que receberam urolitina A tomaram 500 ou 1000 mg uma vez por dia, durante 4 meses.
Estes foram os resultados do estudo para quem tomou urolitina A:
Melhoria da expressão génica mitocondrial,
Aumento dos marcadores de mitofagia e de saúde mitocondrial,
Níveis mais baixos de proteína C reativa no plasma (menor inflamação),
Melhoria significativa da resistência muscular sem exercício regular (testes aeróbicos de VO2 e testes de distância percorrida em 6 minutos),
Não foram reportados efeitos adversos.
Das duas doses administradas, a dose de 1000 mg foi bastante mais eficaz no aumento da força e da resistência muscular. Ambas as doses mostraram resultados significativos na melhoria da saúde mitocondrial e celular, mas não houve grande diferença entre a dose mais baixa e a mais alta.
Melhoria da Função Mitocondrial
Noutro ensaio clínico em humanos, realizado em 2019 por Andreux et al. (3), foram administradas diferentes doses de urolitina A a idosos saudáveis e sedentários, uma vez por dia, durante 4 semanas.
Um grupo começou por receber 250 mgdurante uma semana, aumentando depois 250 mg durante mais duas semanas. Após uma pausa de 3 semanas, receberam 2000 mg durante uma semana, depois 500 mg, e novamente 500 mg na semana final. O outro grupo começou por receber 250 mg durante 4 semanas, depois 500 mg durante 4 semanas, e por fim 1000 mg durante 4 semanas. O terceiro grupo recebeu sempre apenas placebo.
Estes foram os desfechos e resultados do estudo:
A urolitina A esteve presente no plasma após a ingestão, em todas as doses,
Não foram reportados efeitos adversos significativos, e a suplementação com urolitina A foi considerada segura para consumo em todas as doses e formas de administração (a curto prazo),
Após 4 semanas de suplementação diária com 500 mg e 1000 mg, observou-se uma melhoria da função mitocondrial (ativação da mitofagia), da saúde celular e da expressão génica.
Este estudo foi também concebido, realizado e patrocinado pela Amazentis SA.
Conclusão
A urolitina A é, sem dúvida, um novo suplemento entusiasmante que aproveita a força dos processos naturais que ocorrem no nosso organismo com a ajuda da microbiota intestinal. Tudo indica que já 500 mg podem fazer muito pela saúde celular e mitocondrial, enquanto 1000 mg podem mesmo melhorar a força muscular, sendo seguros para consumo.
A urolitina A poderá também ter propriedades neuroprotetoras e anti-inflamatórias para os idosos, embora ainda seja necessária investigação mais alargada. Além disso, devemos ter em conta que os ensaios clínicos em humanos sobre a urolitina A foram, até agora, realizados e patrocinados por uma única empresa, que também comercializa estes suplementos.
Ainda assim, esta start-up de biotecnologia é uma spin-off da conceituada universidade suíça École Polytechnique Fédérale em Lausanne. Foi esta equipa que descobriu o novo mecanismo através do qual a urolitina A (derivada de romãs) consegue atuar sobre a mitofagia e apresentar diversos benefícios para a saúde. Se estiver interessado nos seus planos de investigação e quiser saber mais pormenores sobre o mecanismo molecular da urolitina A, veja este vídeo:
Se está curioso sobre a urolitina A, pode adquiri-la na nossa loja online:
Kothe B, Klein S, Petrosky SN. Urolithin A as a Potential Agent for Prevention of Age-Related Disease: A Scoping Review. Cureus. 2023 Jul 27;15(7):e42550. doi: 10.7759/cureus.42550.
Singh A, D'Amico D, Andreux PA, Fouassier AM, Blanco-Bose W, Evans M, Aebischer P, Auwerx J, Rinsch C. Urolithin A improves muscle strength, exercise performance, and biomarkers of mitochondrial health in a randomized trial in middle-aged adults. Cell Rep Med. 2022 May 17;3(5):100633. doi: 10.1016/j.xcrm.2022.100633. PMID: 35584623; PMCID: PMC9133463.
Andreux PA, Blanco-Bose W, Ryu D, Burdet F, Ibberson M, Aebischer P, Auwerx J, Singh A, Rinsch C. The mitophagy activator urolithin A is safe and induces a molecular signature of improved mitochondrial and cellular health in humans. Nat Metab. 2019 Jun;1(6):595-603. doi: 10.1038/s42255-019-0073-4. Epub 2019 Jun 14. PMID: 32694802.
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